Acabou que somos de 81 (por aí) e, como que se vive e cresce em meio a violência, nos apegamos. Desconectados em essência, mas amigos. Um dia fomos… hoje em dia, muitas eleições depois, posso dizer que é impossível considerar alguém assim um amigo. Me abituei ao convívio e tolero – ignoro com maior frequência. Uma dia desse, por exemplo (as barbaridades que ainda tenho que ouvir). Me arrependo muito de uma coisa. Eu dei ele [um poodlee] quando mais precisava de mim – estava velhinho e doente. Por isso, cuido dela assim [solta na rua], como se fosse minha filha [abandonada?]. Nina matou o último sabiá do bairro. Uma pausa – como se fosse para achar graça no causo. O que me assusta não é felinos matarem passaros. Mas, ter havido um último sabiá; a ocasião de uma espécie se acabar assim. Duvido que era um sabiá. Descreve ele prá mim: Azul-acinzentado. Costuma consumir insetos [cupim “siriris”]. Bem antigamente, voava sempre em bando. Mas, um a um, foram morrendo. Nos últimos dias, enpulerava em casal. Por fim, estava só, rouco e monótono. Era um sanhaço. Acabou que matou o último.
